Vereadora aciona Corregedoria da Câmara contra Rubinho e Adrilles Jorge após provocações a estudantes em ato com agressões em SP
13/05/2026
(Foto: Reprodução) Vereador e estudantes trocam agressões durante manifestação no Centro de SP
A vereadora Luana Alves (PSOL) entrou com uma representação na Corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo para que seja apurada a atuação dos vereadores Rubinho Nunes (União Brasil) e Adrilles Jorge (União Brasil) durante manifestação estudantil que teve troca de agressões na segunda-feira (11) no Centro de São Paulo.
A oposição acusa os vereadores de irem ao ato, que pedia melhorias nas universidades estaduais paulistas, para "fazer provocações".
O protesto terminou em pancadaria. Pelas imagens, é possível ver Rubinho dando chutes e levando socos. O vereador informou que foi ao hospital e que tem suspeita de fratura no nariz. Já Adrilles tomou um chute na região da barriga. Ao g1, ele disse que levou dois chutes, mas que "está bem" fisicamente.
Na sua representação, Luana Alves afirma que os vereadores "abandonaram qualquer postura institucional para atuar de forma ostensivamente provocativa e confrontacional, estimulando o conflito político e físico contra os manifestantes".
O documento reúne registros e reportagens que mostram episódios de agressão e apontam que Rubinho Nunes teria cuspido em um estudante e desferido chutes contra um jovem já caído no chão.
Luana Alves (PSOL) ingressou com uma representação na Corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo contra Rubinho Nunes (União Brasil) e Adrilles Jorge (União Brasil) por falta de ética e quebra de decoro parlamentar.
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A vereadora do PSOL argumenta que os parlamentares “utilizaram o cargo público para produzir confrontos e gerar repercussão midiática, sem qualquer relação legítima com as atribuições da Câmara Municipal”, já que o protesto era direcionado ao governo do Estado e à Secretaria Estadual da Educação.
O pedido também aponta possível desvio de finalidade, instrumentalização do mandato para autopromoção política e uso da estrutura parlamentar em atividade sem interesse público.
Entre os pedidos apresentados por Luana Alves estão:
abertura imediata de procedimento disciplinar por quebra de decoro parlamentar;
investigação sobre uso de assessores e seguranças pagos com dinheiro público na ação;
apuração de eventual utilização do mandato para fins eleitorais; aplicação das penalidades previstas no Código de Ética da Câmara;
envio do caso ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público Eleitoral, caso sejam identificados indícios de irregularidades.
O que dizem os vereadores
O vereador Adrilles Jorge disse que o pedido de Luana Alves é "uma das maiores absurdidades da história da Câmara Municipal de São Paulo".
“É a primeira vez que uma pessoa que foi agredida, que teve ameaça de espancamento, que foi cercada, é acusada de provocar estudantes. Eu simplesmente fiz perguntas, contestei o direito à greve de estudante que não trabalha, que, eventualmente, quem trabalha, que tem direito à greve de estudante, que seria pago, que é pago, com dinheiro público para que estude e que está cabulando e que está matando aula”, declarou Adrilles.
“Levei dois chutes, fui ameaçado de agressão e aí essa senhora, essa senhorita, leva meu nome à Corregidoria da Câmara, porque eu fui agredido e conversei com estudantes e fui agredido por estudantes. Isso é uma das maiores infâmias, uma das maiores absurdidades da história da Câmara Municipal de São Paulo, cometidas por uma vereadora”, afirmou.
O g1 procurou o vereador Rubinho Nunes, mas ele não se pronunciou até a última atualização desta reportagem.
Tramitação do pedido
A representação deve ser analisada pelo novo corregedor da Câmara, o Sargento Nantes (PP), ex-membro das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota), da Polícia Militar. Ele foi eleito corregedor em dezembro de 2025 e fica no cargo até o fim deste ano.
Pelas regras da Câmara, Nantes pode solicitar que um membro da Corregedoria produza um relatório preliminar que aponte se houve ou não quebra de decorro por parte dos dois vereadores para justificar a abertura formal de processo disciplinar.
Em seguida, o parecer precisa ser votado pelos membros do colegiado para decidir se o processo será aberto de fato.
O vereador Sargento Nantes (PP) é o Corregedor da Câmara Municipal de SP e é ex-membro da Rota.
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A Corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo é formada pelos seguintes vereadores municipais:
Corregedor Geral: Sargento Nantes (PP)
Membros: Alessandro Guedes (PT)
Gilberto Nascimento (PL)
Keit Lima (PSOL)
Kenji Ito (Podemos)
Marcelo Messias (MDB)
Silvinho Leite (União Brasil)
Provocações gravadas
Vereador provocou estudantes e manifestantes antes de trocar socos e chutes durante protes
Antes de participar da briga generalizada durante manifestação, Rubinho Nunes produziu conteúdo para redes sociais em que aparece provocando os manifestantes.
"Vai estudar, seu vagabundo, seu bosta, eu pago tua faculdade", disse Rubinho em uma das gravações.
Ele também questiona um funcionário da USP que participava da manifestação: "Você devia ter vergonha".
Em gravações, o vereador aparece dando chutes e levando socos dos participantes do ato. Ele afirmou ter fraturado o nariz.
Alunos e profissionais da USP, Unesp e Unicamp pedem melhorias nas universidades públicas paulistas. Os estudantes reivindicam avanços nas políticas de permanência estudantil, como aumento das bolsas, reforma das moradias universitárias e manutenção da estrutura física dos campi.
O ato também criticava a atuação da Polícia Militar na desocupação da Reitoria da USP, ocorrida na madrugada de domingo (10), sem conhecimento da direção da universidade.
Vereador Rubinho Nunes (União Brasil) posta foto dizendo que teve o nariz fraturam em manifestação no Centro de SP.
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O g1 procurou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) e, por meio de nota, a pasta afirmou que "houve uma briga generalizada no local e a confusão foi contida pela PM".
"A Polícia Militar foi acionada na tarde desta segunda-feira (11) para atender a uma ocorrência de manifestação na Praça da República, na região central da capital paulista. De acordo com as informações, houve uma briga generalizada no local. A confusão foi contida pela PM. Não há informação sobre feridos. Neste momento, a manifestação segue pacífica", disse.
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