STJ torna réu desembargador do Tribunal de Justiça de SP por suposto envolvimento em esquema de venda de sentenças

  • 07/05/2026
(Foto: Reprodução)
Desembargador Ivo de Almeida Reprodução/TJ-SP A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o desembargador Ivo de Almeida, do Tribunal de Justiça de São Paulo, por suposto envolvimento em um esquema de venda de sentenças. Com isso, o desembargador se tornou réu no processo pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, advocacia administrativa e associação criminosa. O filho dele, Ivo de Almeida Júnior, e outras três pessoas também haviam sido acusadas formalmente por envolvimento no esquema ilegal de compra e venda de decisões judiciais desvendado em 2024 pela Operação Churrascada, da Polícia Federal. A denúncia preenche 147 páginas. Num dos tópicos, a PGR afirma que Ivo se valeu da condição de desembargador e dos acessos a bancos de dados restritos e a outros juízes para favorecer o ex-policial civil Marcos André de Almeida na Polícia Civil de Minas Gerais. Mensagens obtidas pela PF mostram que o ex-policial procurou Ivo de Almeida para obter informações sobre as pessoas que o acusavam de corrupção. A PGR diz que o desembargador chegou até a sugerir estratégias de defesa para o ex-policial. Em nota, o advogado Átila Machado, que representa o desembargador, informou que "recebe com respeito a decisão proferida pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, contudo divergente frontalmente do seu conteúdo". E emenda: "No curso das investigações, ficou comprovado que nunca houve venda de decisão judicial, quer seja dada em plantão, monocrática ou colegiada. O que os elementos de informação nos mostram foi a indevida exploração do nome do Desembargador por terceiros sem seu conhecimento e/ou participação. Tal fato está provado". "De toda forma, o recebimento preliminar da acusação não abala a confiança do Desembargador e de sua Defesa na Justiça, certos de que a instrução criminal demonstrará aquilo que se sustenta desde o início: a inocência do Desembargador Ivo de Almeida de todas as condutas imputadas", finaliza. Troca de favores Segundo a PGR, em 2022, Ivo também patrocinou interesses privados do policial civil Rodrigo Alves de Oliveira Júnior e de um escrivão de polícia identificado como Adriano, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), e do delegado da Polícia Civil Reginaldo Ribeiro de Souza. "A conduta ilícita manifestou-se pela solicitação de favores que consubstanciaram interferências em decisões administrativas da Polícia Civil, visando interferir na remoção de um escrivão, na promoção de um investigador e na remoção administrativa de um Delegado de Polícia Civil", afirma a denúncia. Neste trecho, a denúncia cita conversas entre Ivo e o atual secretário-adjunto da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves. A PGR concluiu: "A intervenção do desembargador interferiu negativamente no regular funcionamento da administração da Polícia Civil do Estado de São Paulo, com subversão do interesse público. Indica-se, ademais, uma relação de troca de favores e de 'clientelismo judicial'”. O secretário não é acusado de nenhum crime. Em nota, Osvaldo Nico Gonçalves informou que "confirma que recebeu indicações do desembargador de Ivo de Almeida para a promoção de policiais, que os nomes foram analisados pelo Conselho da Polícia Civil e que os profissionais indicados pelo desembargador não foram promovidos". Ainda segundo o comunicado, o secretário "disse que indicações como essas são feitas rotineiramente e frisou que nenhuma promoção é realizada sem a análise e a aprovação do Conselho da Polícia Civil — colegiado que reúne o delegado-geral e os diretores dos departamentos que compõe a corporação". A PGR afirma ainda que o desembargador constituiu uma organização criminosa para cometer os crimes de lavagem de dinheiro e corrupção. Num dos casos, a Procuradoria diz que o desembargador solicitou R$ 65 mil para conceder um habeas corpus. Em outro episódio, ele é acusado de ter recebido R$ 100 mil para livrar Sérgio Armando Audi da cadeia. A denúncia da PGR assinala que, entre 2019 e 2022, Ivo de Almeida ocultou a movimentação financeira de R$ 182.440, valor que, segundo a acusação, veio do pagamento de propina. A investigação conseguiu rastrear 24 episódios de lavagem de dinheiro praticados pelo desembargador, sempre em dinheiro vivo, em valores fracionados, para enganar os órgãos de fiscalização e controle. A PGR afirma que Ivo de Almeida e o filho, Ivo de Almeida Júnior, usaram uma incorporadora para esconder a origem do dinheiro ilícito. "Para dissimular a propriedade e a origem dos valores movimentados pela pessoa jurídica, Ivo de Almeida valeu-se de seu filho Ivo de Almeida Junior, que figurou formalmente no quadro societário da empresa, ostentando cota social correspondente a R$ 225.000,00. Além disso, o filho do denunciado incorporou ao seu patrimônio um apartamento, especificamente a unidade 104, e uma vaga de garagem vinculados ao empreendimento. Trata-se de expressão patrimonial absolutamente incompatível com os rendimentos lícitos declarados de Ivo Junior, que não teria capacidade financeira para o investimento ou para as aquisições a ele relacionadas", escreveu a PGR. Em outro trecho, os procuradores dizem que "os rendimentos anuais de Ivo de Almeida Júnior variaram entre R$ 10.181,85 e R$ 31.639,16, entre os anos de 2016 e 2022. No entanto, suas despesas, apenas com uso de cartões de crédito, totalizam aproximadamente R$ 800.000,00 no mesmo período, excedendo significativamente suas receitas, que somaram pouco mais de R$ 100.000,00". O desembargador é formado em direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ele ingressou na magistratura em 1987 como juiz substituto em Bauru, interior paulista. O magistrado tomou posse como desembargador do TJ em 2013. Investigação da PF Desembargador de São Paulo é alvo da PF por suspeita de venda de sentenças A "Operação Churrascada" é uma investigação em trâmite no STJ e decorre da "Operação Contágio", feita em 2021 pela Polícia Federal em São Paulo, que desarticulou uma organização criminosa responsável pelo desvio de verba pública da área de saúde. O nome da operação remete ao termo “churrasco” utilizado pelos investigados para indicar o dia do plantão judiciário do magistrado. Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) TJ-SP

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/07/stj-torna-reu-desembargador-do-tribunal-de-justica-de-sp-por-suposto-envolvimento-em-esquema-de-venda-de-sentencas.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 10

top1
1. O DONO DA IGREJA

THALYTA

top2
2. REACENDE A CHAMA

SUEDE SILVA

top3
3. JESSE AGUIAR

EU NAO DESISTO

top4
4. WILIAN NASCIMENTO E ROSE NASCIMENTO

TEU CENARIO VAI MUDAR

top5
5. TA CHORANDO POR QUER

AMANDA WANESSA

top6
6. VAI PASSAR

SHIRLEY E GERSON RUFINO

top7
7. ESTOU CONTIGO

OS LEVITAS

top8
8. LEVA EU

RAYSSA E RAVEL

top9
9. SEM DEUS NAO DA

JAIRO BONFIM

top10
10. A MAO DE DEUS

JOSAFA


Anunciantes