Promotor fala em eliminar 'laranjas podres' após prisão de ex-chefe da Dise e estagiário do MP por elo com PCC
09/06/2026
(Foto: Reprodução) 'Laranjas podres': promotor fala após prisão de ex-chefe da Dise e estagiário do MP
Responsável pela operação que prendeu o ex-chefe da Dise, um ex-policial civil e um ex-estagiário do Ministério Público suspeitos de repassar informações sigilosas e beneficiar integrantes do PCC, o promotor Marcos Tadeu Rioli disse que há uma preocupação das instituições em "extirpar dos quadros essas laranjas podres".
Segundo Rioli, a operação deflagrada nesta terça-feira (9) demonstra que as polícias Civil e Militar, além do Ministério Público (SP), estão atuando de forma integrada para que "maus profissionais que buscam informações privilegiadas para praticar seus crimes sejam afastados dos quadros das instituições".
O promotor também destacou que a sociedade pode confiar nas instituições.
"Quero dizer que a população, a sociedade, pode ter a certeza de que as instituições estão trabalhando para que todos recebam um serviço público eficiente, contínuo e da mais forma transparente", disse.
De acordo com as investigações, os suspeitos teriam participado de um esquema envolvendo vazamento de dados sigilosos e extorsão de investigados.
Eles também mantinham contato com pessoas apontadas como integrantes de um grupo ligado ao PCC, que chegou a planejar a morte de um promotor do Gaeco. O plano, no entanto, não foi executado.
Veja quem são os presos:
Ex-chefe de investigadores da Dise
Ex-chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas (SP), Maurício Aparecido de Oliveira
Arquivo pessoal
Um dos presos é Maurício Aparecido de Oliveira, que foi chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas (SP). Atualmente, ele trabalhava no 1º Distrito Policial da cidade - central de flagrantes que atende a região central da cidade.
De acordo com o Ministério Público, uma semana antes da operação que desarticulou o plano para matar o promotor do Gaeco Amauri Silveira Filho, em agosto de 2025, Maurício se reuniu com um dos suspeitos apontados como responsável por executar o atentado.
Os promotores afirmam que encontraram vídeos que mostram o encontro - veja aqui. Agora, tentam descobrir se informações sigilosas sobre a investigação foram repassadas ao grupo criminoso.
Em nota, a defesa de Maurício informou que aguarda acesso aos autos para analisar o "desnecessário pedido de prisão temporário de um servidor público".
Veja a nota:
"Ainda não conseguimos ter acesso aos autos, onde foi decretada a prisão temporária de nosso cliente. Mas, de qualquer maneira, muito me preocupa o excesso de prisões temporárias e preventivas, ultimamente decretadas pelo Poder Judiciário, acolhendo a pedidos formulados pelo Ministério Público, que é o Órgão acusador do Estado. Soube pela imprensa, que o motivo da prisão seria o envolvimento num plano para matar um promotor de justiça, do GAECO. Entretanto, tivemos outras prisões decretadas, pelo Judiciário, onde os promotores do GAECO utilizaram deste mesmo motivo (grave, diga-se de passagem!), mas, ao final não sustentaram tais acusações, e, como se nada tivesse acontecido, imputaram outras condutas aos investigados. Vamos aguardar o acesso aos autos para analisar esta exdrúxula e desnecessária prisão temporária de um servidor público".
Ex-estagiário do Ministério Público
Gabriel Lira de Jesus, ex-estagiário do MP preso em operação contra infiltrados do PCC
Reprodução/Instagram
Outro preso é o bacharel em direito Gabriel Lira de Jesus que, na época dos fatos investigados, fazia estágio em uma promotoria criminal do Ministério Público em Campinas.
Segundo o Gaeco, ele teria usado o acesso a sistemas e bancos de dados da instituição para localizar investigados com alto poder econômico e exigir dinheiro em troca de suposta proteção contra investigações.
A suspeita é que ele tenha entrado na promotoria já com a intenção de obter informações para esse tipo de prática.
Uma das descobertas da investigação surgiu após a análise do celular de Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como "Dragão", suspeito de financiar o plano para matar o promotor Amauri Silveira Filho.
No aparelho de Dragão, promotores encontraram mensagens em que Gabriel Lira de Jesus cobrava R$ 500 mil para que informações sobre o empresário não fossem enviadas ao Gaeco. A partir dessas mensagens, os investigadores chegaram ao então estagiário.
Segundo o MP, ele deixou a promotoria algumas semanas após operações que tinham "Dragão" como alvo e passou a trabalhar em um escritório de advocacia da região de Campinas, que também foi alvo de buscas nesta terça-feira.
O advogado Allan Renato Cassoli, que defende Gabriel Lira de Jesus, disse que irá se manifestar nos autos do processo e que os fatos serão apurados com a devida cautela no transcorrer da investigação.
Veja a nota:
"A defesa de Gabriel Jesus informa que está acompanhando os desdobramentos dos fatos ocorridos na data de hoje e já está atuando junto às autoridades competentes para o devido esclarecimento da situação.
A defesa resguarda com rigor os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência - garantias que não se suspendem pela repercussão de uma operação policial nem pela velocidade com que as informações circulam nas redes. Qualquer conclusão ou juízo de valor neste estágio inicial é prematuro e pode causar dano irreparável.
Neste momento, a defesa manifestar-se-á exclusivamente nos autos do processo, os quais ainda não obteve pleno acesso, resguardando o estrito cumprimento dos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência.
Por fim, reitera que os fatos serão apurados com a devida cautela no transcorrer da investigação, sendo prematura qualquer conclusão ou juízo de valor neste estágio inicial".
Ex-policial civil
Itamar Gomes da Silva é um ex-policial civil que, segundo o Ministério Público, teria ajudado o então estagiário e participado do esquema. Ele foi preso em Cardoso (SP).
Itamar seria o responsável com conectar o ex-investigador Maurício Aparecido de Oliveira ao empresário José Ricardo, apontado como um dos responsáveis pela execução do plano para matar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho.
Vídeos obtidos pela GloboNews mostram o encontro entre os dois investigados justamente nos dias que antecederam a operação que acabou frustrando o suposto plano de assassinato.
Itamar foi preso na manhã desta terça (9), em um sítio na rodovia que liga Cardoso (SP) ao distrito de São João do Marinheiro. Segundo o registro da prisão, Itamar não ofereceu resistência, e após o exame de corpo de delito, foi encaminhado à Cadeia Pública de Catanduva (SP).
Itamar já havia sido preso em 2008 e acabou expulso da Polícia Civil após ser condenado por um caso de extorsão.
Na ocasião, de acordo com a denúncia do Ministério Público, ele e outros dois policiais prenderam uma mulher investigada por tráfico de drogas e exigiram dinheiro de um suposto chefe da quadrilha para libertá-la.
Investigação
A Operação Infiltrados é um desdobramento de duas operações deflagradas no ano passado:
Operação Pronta Resposta: deflagrada em agosto, apurou a atuação de organização criminosa ligada ao PCC que, dentre outros crimes, estaria planejando um atentado contra a vida do promotor de Justiça do Gaeco Amauri Silveira Filho.
Operação Off White: deflagrada em 30 de outubro de 2025 - realizada para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligado a dois dos traficantes mais procurados do Brasil. Entre eles, um dos principal chefes em liberdade do PCC: Sérgio Luiz de Freitas (Mijão ou Xixi).
Além das três prisões temporárias, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em Campinas e Cardoso (SP). Um policial penal também é investigado e foi alvo de buscas.
Infográfico - como os investigados da Operação Infiltrados se conectam
arte/g1
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