Polícia e Gaeco prendem no interior de SP advogados suspeitos de fraudes judiciais e financeiras
06/05/2026
(Foto: Reprodução) Advogados são presos em SP em operação contra fraudes judiciais e financeiras
Uma operação da Polícia Civil e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP), prendeu nesta quarta-feira (6) ao menos quatro advogados suspeitos de fraudes judiciais e financeiras.
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 20 mandados de busca e apreensão nas cidades de Ribeirão Preto (SP), Igarapava (SP) e Sertãozinho (SP).
As prisões ocorreram no âmbito da segunda fase da Operação Têmis. A primeira fase aconteceu em 2018, quando as investigações constataram golpes que causaram prejuízo de R$ 100 milhões a instituições bancárias.
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Os alvos dos mandados de prisão nesta quarta-feira são:
Klaus Philipp Lodoli
Rafael de Jesus Moreira
Carlos Renato Lira Buosi
Daiane Cristina Rosa
Carine Costa e Silva Araújo
Donizete Gomes da Silva
Dentre eles, Klaus, Rafael, Carlos Buosi e Carine são advogados, sendo que Klaus já havia sido preso na primeira fase da operação, mas estava em liberdade. Atualmente, ele está com registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) suspenso.
Na chegada à delegacia, Carlos disse estar tranquilo e que irá provar a inocência. "Estou tranquilo, não tem nada de mais, vou provar que essa acusação quanto à minha pessoa é infundada."
O g1 tenta contato com as defesas dos investigados.
Em nota, a OAB informou que a Comissão de Prerrogativas acompanhou as diligências para assegurar o respeito às prerrogativas profissionais dos envolvidos. A entidade destacou também que dispõe de instâncias próprias para apuração de eventuais condutas ético-disciplinares de inscritos.
"A entidade segue acompanhando os desdobramentos do caso e reafirma seu compromisso com a legalidade, as prerrogativas da advocacia e a regular apuração dos fatos", complementou.
Segundo o Ministério Público, os alvos da operação são considerados essenciais à estrutura da organização criminosa. Os mandados foram cumpridos em residências, empresas e escritórios de advocacia dos suspeitos. Entre as apreensões estão quatro veículos, além de documentos, computadores e celulares, que serão analisados.
Além disso, a Justiça também determinou a suspensão do exercício da advocacia dos profissionais investigados, a suspensão das atividades de pessoas jurídicas utilizadas para os crimes e o bloqueio de bens e valores, com o objetivo de assegurar a reparação de danos e impedir novas fraudes.
Carlos Renato Lira Buosi, advogado preso em operação contra fraudes em Ribeirão Preto
Reprodução/EPTV
Série de fraudes
As novas investigações revelaram indícios de um esquema para a captação ilegal de pessoas, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade, e uso indevido dos dados pessoais dessas vítimas para o ajuizamento de ações judiciais, muitas vezes sem que elas soubessem da prática.
Ainda de acordo com as apurações, o grupo se utilizava de empresas de fachada e para promover demandas judiciais fraudulentas.
O esquema também levou à distribuição de milhares de ações judiciais em diversas comarcas do país, complementou o MP.
Os investigados devem responder por organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica, fraude processual, lavagem de dinheiro e violação de sigilo de dados.
1ª fase da Operação Têmis
Deflagrada em janeiro de 2018, em Ribeirão Preto, a primeira fase da Operação Têmis identificou fraudes judiciais que causaram prejuízo de R$ 100 milhões a instituições bancárias. Dez pessoas foram acusadas de envolvimento no esquema, entre elas quatro advogados.
Segundo o MP, os envolvidos conseguiam ilegalmente dados de clientes de bancos e entravam com ações judiciais exigindo supostas diferenças de expurgos inflacionários decorrentes dos planos Collor, Verão e Bresser, sem que essas pessoas soubessem.
🔎 Expurgos inflacionários são parcelas da inflação real que não foram aplicadas na correção de ativos financeiros ou salários durante a transição de diferentes planos econômicos no Brasil, especialmente entre as décadas de 80 e 90, como os planos Collor, Verão e Bresser.
Com a relação de correntistas em mãos, assim como os números das contas bancárias e os respectivos valores depositados na década de 1990, os investigados saíam à procura de homônimos residentes na região de Ribeirão Preto para usá-los nas fraudes.
As vítimas assinavam procurações em meio a outros documentos, sem nenhum conhecimento. Inadimplente, a maioria dessas pessoas era abordada pelos advogados ou por intermediários deles, com a promessa de conseguirem quitar as dívidas.
O advogado Klaus Philipp Lodoli, preso na Operação Têmis em Ribeirão Preto
Reprodução/EPTV
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