Polícia analisa imagens de possível agressão de cuidadora a aluno autista em Sorocaba: 'Escuta é a prioridade'
10/04/2026
(Foto: Reprodução) Cuidadora é afastada após suspeita de agressão a aluno com autismo em Sorocaba
A Polícia Civil está analisando imagens de uma possível agressão de uma cuidadora a um aluno autista de 11 anos, em uma escola estadual de Sorocaba (SP). A denúnica foi feita pela família da vítima no início de abril.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Acácio Leite, as informações prelimiares, que constam no boletim de ocorrência, são de que a cuidadora, que havia sido designada para acompanhar exclusivamente este aluno, teria chacoalhado o menino de forma violenta e apertado seu braço.
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Além das lesões, no BO consta que o menino teria sido impedido de usar o banheiro. "A criança foi encaminhada tanto para exame de corpo de delito quanto escuta especializada. Nós já temos as imagens e, por ora, são essas diligências que estamos fazendo", destacou o delegado.
Delegado responsável pelo caso, Acácio Leite, fala sobre caso de cuidadora que teria agredido menino autista em escola estadual
Reprodução/TV TEM
O delegado também afirma que o caso começou a ser investigado como maus-tratos, mas, após a conclusão das apurações e oitvas, poderá ser classificado como tortura.
"A escuta [da criança] é a prioridade. Precisamos do depoimento para entender sobre o ponto de vista da vítima, o que aconteceu. Feito isso, nós já temos um compromisso com a escola de apresentar essa servidora, ela será chamada para prestar depoimento, assim como a família para entender o contexto", disse o delgado.
À TV TEM, a mãe do menino, Denise Santos, contou que, no dia do ocorrido, ele estava nervoso ao sair da escola.
"Peguei o meu filho, vim para casa e fiz várias perguntas sobre o que estava acontecendo. Ele começou a me falar que a tia apertava o braço dele, que a tia não deixava ele comer. Ele começou a falar que a tia brigava com ele quando ele ia no banheiro. As coisas que ela fez com meu filho, ela não pode ficar impune, porque o que ela fez foi muito grave. Ela não está apta para cuidar de criança nenhuma, quero justiça por tudo que ela fez", pontuou a mulher.
Denise Santos, mãe de aluno autista que teria sido agredido em escola estadual de Sorocaba (SP)
Reprodução/TV TEM
O fato de a vítima ser uma criança com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode agravar a situação do crime, segundo o delegado. Outros funcionários da escola também podem ser responsabilizados como coautores, caso as agressões sejam confirmadas e eles tenham tido conhecimento do ocorrido.
"Com tranquilidade, transparência, a prioridade é entender, através da voz da criança, o que aconteceu, assim como testemunhas, ainda que sejam outras crianças, para, por fim, chegar à suposta autora. Também vai ser dado o direito de ela [cuidadora] prestar depoimento com auxílio de defesa, se for o caso", disse.
Relembre o caso
Uma mãe de Sorocaba denunciou uma das professoras auxiliares da Escola Estadual "Professor Jorge Madureira", localizada no Parque das Laranjeiras, zona norte da cidade, por agressão ao seu filho, de 11 anos, no início de abril. A criança relatou ter sofrido agressões físicas, além de ter sido impedida de utilizar o banheiro.
De acordo com o boletim de ocorrência, Denise Santos Rodrigues, a mãe do menino, começou a notar um comportamento atípico do seu filho, que frequentemente chegava chorando da escola.
Na data do ocorrido, uma das professoras responsáveis pelo atendimento educacional especializado em alunos com necessidades especiais entrou em contato com a mãe e a orientou que comparecesse à escola no dia seguinte para conversarem.
Ainda de acordo com o documento, Denise optou por não comparecer, informando que o filho não estava bem e que o encaminharia para atendimento terapêutico por conta de comportamentos estranhos.
Ao g1, a mãe informou que seu filho é diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (nível 2 de suporte), além de possuir deficiência intelectual e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), e iniciou na escola no dia 16 de março. No entanto, já na segunda semana, não queria mais ir.
O que dizem os envolvidos
Segundo o boletim de ocorrência, a coordenadora e a diretora da escola, por meio de imagens de câmeras de segurança, teriam constatado os atos praticados pela cuidadora e, posteriormente, transferido a funcionária para outra unidade escolar.
Questionada, a vice-diretora da escola informou à mãe que, no momento em que a escola tomou ciência do ocorrido, tomou as devidas providências.
Em nota, a Secretaria Estadual da Educação informou que a Unidade Regional de Ensino (URE) Sorocaba lamenta o ocorrido e reforça que, logo após saber do ocorrido, acionou a empresa responsável pela cuidadora a fim de solicitar o afastamento da profissional, que já não atua mais na escola.
Ainda segundo a nota, uma nova cuidadora já está encarregada do estudante. A URE acrescenta que uma reunião com os pais do aluno foi realizada na segunda-feira (6) de modo a esclarecer os fatos e acolher o estudante junto aos responsáveis.
O g1 também entrou em contato diretamente com a escola para pedir um posicionamento sobre o caso, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
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