Onã, que significa caminhos, retrata a arte negra de Sorocaba; mostra pode ser vista no Macs
29/05/2026
(Foto: Reprodução) Das obras originais de Diego Dedablio, que é artista de grafite, desenhista e multimídia
Diego Dedablio
O Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs) abre suas portas nesta sexta-feira (29) para "Onã", a primeira exposição de artes visuais negras da cidade. Mais do que uma mostra, trata-se de um gesto político e poético: uma ocupação que coloca a arte negra no centro da narrativa cultural paulista, conectando passado e presente em um percurso de afirmação identitária.
“A exposição Onã amplia a representatividade, com diversidade de narrativa artística e social, com artistas negras (os) ocupando esse espaço. A presença afro-brasileira em Sorocaba é muito forte, apesar de ser uma memória muitas vezes invisibilizada”, afirma a produtora executiva Magda Barbosa. Para ela, o impacto educativo da mostra será fundamental. “A gente espera receber muitos estudantes na exposição.”
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O nome da mostra vem do iorubá e significa “caminho”. Esse conceito orienta a curadoria ao reunir diferentes trajetórias negras dentro da arte contemporânea regional.
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Inspirada em símbolos ancestrais como a Sankofa - da mitologia akan que remete à importância de retornar ao passado para construir o futuro -, Onã questiona padrões tradicionais do circuito artístico e propõe uma estética centrada na cosmovisão negra.
Dois tempos em diálogo
A exposição articula presente e passado. De acordo com o material divulgado pela mostra, o presente aparece nas discussões sobre desigualdade, violência e racismo estrutural. O passado é convocado como espaço de memória, resistência e reafirmação de raízes.
Nesse trânsito, os trabalhos exploram temas como corporeidade, oralidade, vulnerabilidade social, poética periférica e estética negra contemporânea.
Diversidade de linguagens
Onã reúne dez obras, sendo nove inéditas e comissionadas especialmente para o projeto. A narrativa visual atravessa múltiplos segmentos artísticos:
Artes plásticas: Ghum e Diego Dedablio.
Audiovisual: vídeo-performance de Daia Moura e performance de Manu Neto.
Fotografia e pintura: série de Vine Ferreira.
Obra linguística: Cíntia Delgado evoca a memória do Quilombo Caxambu.
Instalações: Jhonatan Cardim e Vicente Alves ampliam a experiência sensorial.
Manifesto sonoro: Carlo Rappaz atravessa a proposta curatorial com música.
Intervenção urbana: lambe-lambe expande a ocupação para além das paredes do museu.
Os trabalhos exploram temas como corporeidade, oralidade e vulnerabilidade social
Diego Dedablio
Produção e apoio
Com produção cultural de Magda Barbosa, orientação de Wellington Ataíde e expografia de Ana Antunes, a mostra acontece em parceria com o Macs e conta com apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Lei nº 14.399/2022).
SERVIÇO:
Local: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs) – Av. Dr. Afonso Vergueiro, 280 – Centro;
Período: até 28 de julho;
Funcionamento: terça a sexta, das 10h às 17h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 15h;
Entrada gratuita.
Onã reúne dez obras, sendo nove inéditas e comissionadas especialmente para o projeto
Diego Dedablio
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