Moradores desalojados por explosão no Jaguaré protestam contra fim de contrato com hotel: 'Não tem CDHU, não tem auxílio-aluguel, não tem nada'
22/05/2026
(Foto: Reprodução) Moradores protestam no Jaguaré: 'Queremos casa'.
TV Globo/Reprodução
Moradores afetados após a explosão que atingiu casas no Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, realizaram um protesto nesta sexta-feira (22) contra o encerramento do contrato que garantia hospedagem em hotéis para as famílias desalojadas.
Segundo a Polícia Militar, cerca de 60 pessoas participaram do ato na Avenida Presidente Altino, que chegou a ser interditada. Manifestantes também atearam fogo em objetos na via. A CET afirmou que as pistas foram liberadas por volta das 20h após o fim do ato.
Os moradores afirmam que foram avisados que deveriam deixar os hotéis nesta sexta porque o contrato firmado entre a Sabesp e a Comgas, concessionárias responsáveis pelo atendimento emergencial, não foi prorrogado. Eles dizem que ainda não houve também definição sobre auxílio-aluguel, moradia definitiva ou eventual reassentamento.
“A Sabesp estabeleceu um contrato com os hotéis até o dia 22, que é hoje. Esse contrato foi encerrado e o que foi passado, provavelmente o que aconteceu, foi que ele não foi prorrogado. Então os hotéis pediram que os moradores saissem do hotel justamente porque esse contrato não foi prorrogado”, afirmou a analista Caroline Rodrigues.
Tarcísio afirma que concessionárias serão responsabilizadas por explosão no Jaguaré
Ela e a família perderam a casa na explosão que aconteceu em 11 de maio após uma obra da Sabesp atingir uma tubulação de gás da Comgás. O acidente deixou dois mortos, dezenas de imóveis danificados e transformou a rotina do bairro em um "cenário de guerra", como descrito pelos próprios vizinhos afetados.
Desde o dia da explosão, os desabrigados passaram a aguardar as investigações acomodados em casas de parentes ou em quartos de hotel. Na época, o diretor institucional e regulatório da Comgás, Bruno Dalcomo, afirmou que a empresa pagaria "quantas diárias de hotel forem necessárias até as pessoas terem uma moradia".
Em nota, a Sabesp afirmou que a Comgás é "responsável pela hospedagem emergencial e acomodação temporária das famílias desalojadas. Já a Sabesp atua nas ações de assistência social, pagamento do auxílio emergencial e recuperação dos imóveis atingidos na comunidade" (leia nota completa abaixo).
A Comgás afirmou que "vem prestando assistência integral às famílias no Jaguaré. A empresa tem disponibilizado hospedagens na região com o suporte e pensão completa, e segue atendendo às necessidades individuais."
Protesto moradores Jaguaré, na Zona Oeste, nesta sexta-feira (22).
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"As famílias permanecem com vagas disponíveis em ambos hotéis pelo tempo que for necessário."
Já a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse que "as famílias seguem hospedadas nos hotéis, que serão integralmente custeados pelas concessionárias" (leia nota abaixo).
Solução definitiva
Durante o protesto, moradores cobraram uma solução definitiva e reclamaram da falta de clareza sobre o futuro da comunidade atingida pela explosão.
“O que nós queremos é uma resposta concreta. Cada hora é uma resposta diferente”, disse o morador Luciano Melo.
Segundo ele, parte das famílias teme ser obrigada a aceitar apartamentos oferecidos pelas autoridades, enquanto prefere retornar às casas na comunidade.
“O que parece é que eles estão querendo forçar a gente a pegar apartamento. E a gente não quer apartamento. O que a gente quer é voltar para a nossa comunidade”, afirmou.
Imagens registradas antes e depois da explosão que atingiu o Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, mostram o cenário de destruição deixado pelo acidente ocorrido na tarde desta segunda-feira (11).
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Em 13 de maio, o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco, informou que a CDHU iniciou o cadastramento das famílias afetadas e fará a intermediação das indenizações com as concessionárias
Segundo ele, cerca de 40 imóveis recém-finalizados da CDHU poderiam ser disponibilizados para famílias que precisarem deixar suas casas durante as reformas.
Segundo Caroline, porém, os moradores seguem sem informações concretas sobre quais medidas habitacionais serão adotadas.
“Eles não têm CDHU, eles não têm auxílio-aluguel, eles não têm nada. Porque isso ainda não foi definido. Como que vai ser, se os moradores vão ser designados para os CDHUs, como vai ser confirmada a Carta de Crédito? Isso ainda não foi definido”, ressaltou.
Edinaldo, outra vítima da explosão, relatou que estava hospedado em um hotel no Jaguaré, mas foi informado de que seria transferido para uma unidade em Osasco. Ao chegar ao local, porém, disse que funcionários do estabelecimento afirmaram não haver nenhuma “ficha” ou reserva em seu nome.
Segundo ele, a família precisou retornar ao Jaguaré sem ter para onde ir. No carro, estavam as roupas que conseguiram salvar da explosão, além de dois cachorros e o filho.
Edinaldo afirmou que passou a tarde no Jaguaré tentando conseguir respostas sobre onde a família ficará hospedada e qual será a solução definitiva para os moradores desalojados.
Auxílio-aluguel
Um dos moradores também criticou o valor de um possível auxílio-aluguel discutido com as famílias.
“Vieram oferecer um auxílio-aluguel de R$ 800. Um aluguel de R$ 800 aqui no Jaguaré não existe nunca”, disse.
Em nota, a Polícia Militar informou que acompanha a manifestação e que equipes atuam no local para preservação da ordem pública e segurança viária. A CET e o Corpo de Bombeiros também foram acionados para apoio à ocorrência.
O que diz o governo
Leia na íntegra nota do governo de São Paulo:
"O Governo de São Paulo e as concessionárias Sabesp e Comgás continuam mobilizados para dar soluções habitacionais para as famílias que perderam seus imóveis na explosão no Jaguaré. As famílias seguem hospedadas nos hotéis, que serão integralmente custeados pelas concessionárias.
O Estado, por meio da CDHU, está oferecendo aos moradores afetados alternativas habitacionais como transferência para apartamentos mobiliados, carta de crédito para aquisição de imóvel e auxílio-aluguel. O custeio das medidas habitacionais e da mobília será de responsabilidade da Sabesp e da Comgás. As opções apresentadas pelo estado têm o objetivo de agilizar as soluções para que as famílias afetadas possam retomar suas vidas o quanto antes. Até esta sexta-feira (22), 31 famílias visitaram apartamentos sugeridos pela CDHU, das quais 20 aderiram ao imóvel proposto. Outras seis famílias optaram por obter uma carta de crédito e deverão apresentar um imóvel para o atendimento definitivo."
O que diz a Sabesp
Leia na íntegra nota da Sabesp:
"A Sabesp e a Comgás mantêm uma força-tarefa conjunta para atendimento às famílias impactadas pela ocorrência no Jaguaré, com divisão definida de responsabilidades.
A Comgás é responsável pela hospedagem emergencial e acomodação temporária das famílias desalojadas. Já a Sabesp atua nas ações de assistência social, pagamento do auxílio emergencial e recuperação dos imóveis atingidos na comunidade.
A Sabesp mantém equipes mobilizadas diariamente no local, com suporte social, psicológico e atendimento às famílias.
Até o momento, 779 famílias receberam auxílio emergencial de R$ 5 mil. Ao todo, 300 imóveis foram vistoriados, com ações de limpeza, reparos emergenciais e reformas definitivas já executadas em parte das residências impactadas.
A Companhia reforça sua solidariedade às famílias atingidas e segue atuando para garantir assistência e recuperação das áreas afetadas."