Médicos viram réus por mortes de gestante e bebê no interior de SP
11/06/2026
(Foto: Reprodução) Ministério Público em Rio Preto (SP)
Reprodução/Google Maps
Três médicos vão responder judicialmente por homicídio culposo contra uma gestante e seu bebê em São José do Rio Preto(SP).
As mortes ocorreram entre os dias 17 e 20 de março de 2020, quando a mulher, que era portadora de anemia falciforme e estava com aproximadamente 31 semanas de gestação, procurou atendimento em um hospital particular apresentando síndrome gripal progressiva e alterações laboratoriais, indicando um processo infeccioso agudo.
📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp
Segundo consta no processo, na ocasião, houve omissão por parte dos profissionais de saúde, que não encaminharam a paciente para internação, para a qual deveria ficar em monitoramento. Além disso, os médicos não prescreveram o antiviral oseltamivir, medicamento protocolarmente indicado para gestantes.
A progressão da doença resultou na morte da mulher e do bebê. A denúncia oferecida pela promotora Valéria Ferreira de Lima foi aceita nesta quarta-feira (10) pelo Poder Judiciário. O nome do hospital e dos médicos não foi divulgado.
Como ocorreu o caso
De acordo com a denúncia, a vítima buscou atendimento cinco vezes em um intervalo de poucos dias no hospital particular, apresentando sintomas persistentes e agravamento progressivo do quadro clínico.
Conforme apontado pelo Ministério Público (MP), mesmo diante do histórico de gestação de alto risco em razão da anemia falciforme, da repetição dos atendimentos e da piora dos exames laboratoriais, os acusados deixaram de adotar as medidas terapêuticas consideradas adequadas, optando por prescrever medicamentos para alívio dos sintomas e liberar a paciente para tratamento domiciliar.
Segundo a acusação, os três médicos contribuíram, em diferentes momentos, para a evolução do quadro infeccioso da mulher por não reconhecerem a gravidade da situação clínica e por deixarem de providenciar a internação hospitalar e o início do tratamento recomendado pelo Ministério da Saúde (MS) para gestantes com síndrome gripal.
Laudos periciais produzidos durante a investigação apontam que há relação instríseca entre as omissões dos médicos e o desfecho fatal, por conta da síndrome da resposta inflamatória sistêmica decorrente de infecção por influenza A, que é um subtipo do vírus da gripe que causa infecções respiratórias agudas.
"Os hemogramas realizados em série entre 3 de fevereiro e 20 de março de 2020 evidenciavam evolutivamente anemia crônica, leucocitose com neutrofilia e plaquetose — sinais laboratoriais inequívocos da vigência de processo infeccioso agudo progressivo. Esses dados estavam disponíveis nos prontuários de atendimento e deveriam ter sido valorados pelos médicos plantonistas que atenderam a vítima nos dias 17, 18 e 19 de março de 2020. Não foram", consta na denúncia.
Vídeos em alta no g1
Quais são as possíveis punições
Além de pedir que os acusados sejam presos ou recebam uma punição criminal, a Promotoria de Justiça solicitou à Justiça que defina um valor em dinheiro para compensar danos morais causados pelo crime.
O pedido solicita que os acusados paguem:
R$ 150 mil para o marido da vítima (viúvo);
R$ 80 mil para a mãe;
R$ 80 mil para o pai;
R$ 150 mil para cada filho que ela tinha.
Os réus são responsáveis juntos pelo pagamento total, o que significa que a família possa exigir o pagamento integral. Se os acusados forem condenados, tanto eles quanto a família das vítimas podem ingressar com recurso em instâncias superiores.
Initial plugin text
Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba
VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM